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Histórias de Livros

"Os livros são espelhos: só se vê neles o que a pessoa tem dentro." Carlos Ruiz Zafón

"Os livros são espelhos: só se vê neles o que a pessoa tem dentro." Carlos Ruiz Zafón

Histórias de Livros

06
Set22

The Seven Husbands of Evelyn Hugo por Taylor Jenkins Reid

Já este ano tinha lido Daisy Jones& The Six desta autora e, como correu bem, quis voltar à sua escrita durante o verão, experimentando este Os Sete Maridos de Evelyn Hugo. 

De início pareceu-me que a história estava demasiado lançada no politicamente correto, no entanto, tive a agradável surpresa ao continuar e terminar este livro, de me emocionar algumas vezes com a Evelyn. Sinto que a certo ponto, a narrativa se tornou mais original e honesta e, isso vez valer a pena. Acho que a ideia de que só amamos uma pessoa ao longo da vida é muito conto de fadas e, até limitante. O amor tem muitas formas. 

Deixo um pequeno excerto com o qual me identifiquei:

"Or maybe Robert merely stumbled into something that worked for him, unsure what he wanted until he had it. Some people are lucky like that. Me, I've always gone after what I wanted with everything in me."*

 

*Está apenas em inglês porque foi esta a versão que li. Qualquer coisa, arranja-se uma tradução. 

 

08
Jun21

1984 por George Orwell

"em toda a parte, no mundo inteiro, centenas de milhares de pessoas como aquelas, pessoas ignorantes da existência dos outros, separadas por muros e mentira, e no entanto quase exatamente iguais"

Este livro foi publicado em 1949 e é uma experiência pensar o quão atual se mantém cerca de 72 anos depois. 

Em relação à citação acima, tenho vindo a pensar numa teoria de que, quando as pessoas se conhecem e param um bocadinho para pensar nos outros, difícilmente falam da mesma forma sobre coisas que desconhecem. 

 

15
Abr21

Contra mim por Valter Hugo Mãe

Como é que um livro, que apenas é uma autobiografia relativa à infância e adolescência de um qualquer ser humano pode ser uma maravilhosa leitura?

Quando o ser humano que o escreve, tem em si o dom da palavra e de as tornar numa sinfonia para os nossos olhos. 

Gosto muito dos livros de Valter Hugo Mãe, muitas vezes nem tanto pela história que neles descreve, mas pela forma bonita como as canta em palavras. 

Neste livro, o autor leva-nos até à sua infância em Paços de Ferreira, depois em Caxinas e, mais tarde, a entrada na puberdade.

Não sendo eu rapaz, não tendo alguma vez estado em Paços de Ferreira ou Caxinas e, muito menos, nos anos que o autor descreve, deixei-me envolver por cada página e facilmente li do princípio ao fim. É que, por muitas diferenças que existam entre mim e o que VHM descreve, há detalhes na humanidade, naquilo que é o amor, a ternura, aquilo que são os medos de crescer, que são transversais a tudo o resto. 

"Não entender é também fundamental para a paixão."

16
Ago19

O pintassilgo por Donna Tartt

Provavelmente o livro que demorei mais tempo a ler. 

Foi-me dito que era um livro especial, diferente. Fiquei curiosa pelo tipo de história que apresentava, parecia ter pano para mangas para muita ação e pelo número de páginas acreditei que teria. Cerca de um mês e meio depois de o ter começado, posso dizer que não sei muito bem o que me aconteceu, o que é que achei. É um livro imenso, não é só o ter muitas páginas, mas a própria narrativa ser densa. Houve partes que me aborreceu, páginas e páginas com diálogos tal e qual como uma conversa de amigos seria. A verdade é que fiquei presa à história e fui voltando. Se demorei tanto a ler foi mesmo só porque não me agarrava o suficiente para o querer ler todos os dias, mas o suficiente para me manter. Quem é afinal Theodore Decker? Como é que a sua história vai acabar no meio de uma infância tão tumultuosa?

Nem a história e o seu desfecho são particularmente chamativos, nem os personagens são peculiares ou extremamente interessantes. Acabei por criar alguma empatia com o Theo, por ser um miúdo, acompanhar a sua infância e a história terminar com ele na mesma faixa etária que eu. Contudo, as pequenas mensagens que se vão encontrando pelo livro são tão duramente reais, que acho que é isso que nos mantém ligados.

 

Sem fazer spoilers deixo aqui um excerto do livro que para mim resumiu bem toda a mensagem:

"Como sabemos o que é correto para nós? Todos os psiquiatras, orientadores vocacionais e todas as princesas da Disney sabem a resposta: "Sê tu mesmo/a". "Segue o teu coração." Só que aqui está o que eu realmente gostava que alguém me explicasse. E se por acaso se tiver um coração em que não se pode confiar? E se o coração, pelas suas próprias razões incompreensíveis, nos afastar propositadamente e numa nuvem de radiância inefável da saúde, da domesticidade, da responsabilidade cívica, das relações sociais fortes e de todas as virtudes comuns mornamente defendidas e nos impelir diretamente para um belo clarão de ruína, autoimolação, desastre?" 

E pelo meio de uma história longa, dura, por vezes até aborrecida, encontrar estas questões tão bem colocadas, foi o que fez o livro valer a pena.

 

Vai para a estante das leituras duras, mas necessárias. Curiosa por passar ao próximo desta escritora, mas não para já. Agora seguir para algo diferente e mais leve!

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